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Movimentos Intensificam a Luta contra a ALCA
Por
Maria Luisa Medonça
A
Campanha Continental Contra a ALCA decidiu intensificar suas
mobilizações, diante da pressão exercida
pelo governo estadunidense para acelerar as negociações
sobre o acordo. No Brasil, estão previstas grandes
mobilizações em setembro, articuladas com a
Coordenação de Movimentos Sociais (ver quadro
abaixo).
A
Campanha ganha fôlego também no Hemisfério
Norte. Nos Estados Unidos, a maior central sindical, AFL-CIO,
iniciou uma ampla consulta popular e assumiu a luta contra
a ALCA como uma de suas principais bandeiras.
No
Canadá, a Suprema Corte aceitou uma denúncia
do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, alegando que
o Tratado de Livre Comércio da América do Norte
(TLCAN ou NAFTA) é inconstitucional. Os trabalhadores
defendem o direito do Estado de oferecer serviços básicos,
como de Correios, contestados pela transportadora privada
UPS (United Parcel Services). Através do capítulo
11 do NAFTA, que trata de investimentos, qualquer empresa
privada pode processar o Estado e exigir indenização
pelo simples fato de o governo oferecer serviços públicos
`a população.
As
contestações jurídicas, consultas populares
e mobilizações crescem em todo o Continente,
além das alianças que estão sendo construídas
em nível internacional, em preparação
para os protestos contra a Cúpula Ministerial da OMC
(Organização Mundial do Comércio), de
9 a 13 de setembro.
No
Brasil, os protestos terão início na semana
do Grito dos Excluídos, de 1 a 7 de setembro, com a
campanha Vacine-se contra a ALCA. Os movimentos
exigem que o governo brasileiro se retire das negociações
e inicie um grande debate, através da realização
de um plebiscito sobre a ALCA ainda este ano. A campanha brasileira
apóia um projeto de lei elaborado pelo senador Saturnino
Braga, para que a população seja consultada
antes do governo brasileiro dar continuidade as negociações.
Por
parte do governo estadunidense, a estratégia é
utilizar os países latino-americanos no âmbito
da ALCA para forçar a abertura dos mercados europeus.
Nesse sentido, a ALCA, os acordos bilaterais ou um acordo
com o Mercosul (chamado de 4 mais 1) são elementos
essenciais para que os Estados Unidos garantam a aprovação
de suas propostas na OMC. Para isso, o governo Bush joga todas
as suas fichas: acelerou o acordo bilateral com o Chile, aposta
na anexação do Mercosul e procura evitar o adiamento
das negociações da ALCA.
Em
relação ao governo brasileiro, percebe-se uma
certa ambigüidade. Por um lado, o Ministério de
Relações Exteriores estabelece condições
para as negociações e assume uma postura mais
independente e soberana. Por exemplo, o Brasil adiou a entrega
de ofertas sobre serviços, investimentos e compras
governamentais, e decidiu construir uma proposta unitária
com os países do Mercosul.
Em
artigo publicado na Folha de São Paulo, no dia 8 de
julho, o Ministro de Relações Exteriores, Celso
Amorim, afirmou que o governo do presidente Lula não
aderirá a acordos que forem incompatíveis com
os interesses brasileiros e reiterou sua preocupação
com a necessidade de não comprometer nossa capacidade
de desenhar e executar políticas de desenvolvimento
social, ambiental, tecnológico, etc..
Mas,
por outro lado, o governo brasileiro aceitou participar de
reuniões extraordinárias sobre a ALCAalém
da Cúpula Ministerial de novembro, em Miamique
devem acelerar as negociações. Uma delas foi
a chamada mini-ministerial, que ocorreu em Maryland
(EUA), reunindo somente 14 dos 34 países que negociam
a ALCA. O encontro foi organizado pelo representante de comércio
dos Estados Unidos, Robert Zoellick, com a participação
de ministros da Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia,
República Dominicana, El Salvador, Jamaica, México,
Panamá, Peru, Uruguai e Trinidad-Tobago. O objetivo
dessa reunião foi acelerar o processo de negociação
e construir uma proposta comum, sem a presença de países
que impõem maior resistência ao acordo.
O
Brasil concordou também com a proposta do governo estadunidense
de realizar uma cúpula presidencial, que incluirá
temas como ALCA e combate ao terrorismo, no início
de dezembro. Esses encontros têm o objetivo de garantir
o cumprimento do calendário que prevê a implementação
da ALCA em 2005.
Coordenação
de Movimentos Sociais Organiza Mobilizações
em Setembro
Em reunião dia 26 de julho em São Paulo, movimentos
sociais, sindicatos, estudantes e pastorais sociais definiram
a criação de uma Coordenação de
Movimentos Sociais, com o objetivo de unificar as lutas populares
em todo o país. A coordenação é
composta por grandes entidades nacionais, entre elas a Central
Única dos Trabalhadores (CUT), a União Nacional
dos Estudantes (UNE), a Central de Movimentos Populares (CMP),
o Movimento Sem Terra (MST), a Via Campesina, a Marcha das
Mulheres, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI),
a Pastoral Operária, entre outras.
O
lema das mobilizações será Soberania
nacional, desenvolvimento, trabalho, distribuição
de renda e inclusão social. Em agosto, serão
realizadas grandes plenárias em todo o país
para divulgar propostas de combate ao desemprego e a
exclusão social.
Esse
movimento irá participar da jornada internacional contra
o neoliberalismo e o imperialismo, de 7 a 13 de setembro.
Durante esse período serão realizados acampamentos,
debates, atos públicos e paralisações
em fábricas e estradas. No dia 13, estão previstas
marchas simultâneas em centenas de cidades das Américas,
Ásia e Europa.
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