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1. Apresentação
Nas
últimas décadas, foi construída em diversas
partes do mundo a idéia de que o território
rural não era significativo para o desenvolvimento.
Os processos de êxodo rural se baseiam na imagem dos
centros urbanos como os principais geradores de renda e de
oportunidades econômicas.
Porém,
as maiores regiões concentradoras de recursos naturais-como
água, terra, minério e biodiversidade-estão
no meio rural e passaram a ser o centro das políticas
de agências financeiras multilaterais, especialmente
do Banco Mundial. Não é aleatório que,
hoje, os principais projetos do Banco estejam voltados para
o campo.
O
Banco Mundial possui uma política clara, especialmente
no que se refere ao chamado "mercado de terras".
Esta estratégia inclui os seguintes programas: georeferenciamento
da malha fundiária, titulação de posses,
compra e venda negociadas de terra. A ideologia do Banco se
baseia na lógica do Estado mínimo, que promove
a concentração fundiária e a privatização
do território através das regras do mercado.
De acordo com essa política, os agricultores devem
buscar a "eficiência", nos moldes de um modelo
integrado ao agronegócio.
As
políticas do Banco Mundial para o meio rural têm
sido implementadas em todos os continentes, seguindo a mesma
fórmula e gerando resultados semelhantes. Neste contexto,
foi iniciada uma articulação de organizações
sociais e camponesas, com o objetivo de monitorar e denunciar
os impactos dos projetos do Banco Mundial, promover estratégias
de resistência e gerar visibilidade para as políticas
defendidas pela Via Campesina.
No
Brasil, o Banco Mundial negocia um acordo com o Ministério
de Desenvolvimento Agrário que inclui as seguintes
metas: cadastramento e georeferenciamento do território
nacional e a regularização de 2,2 milhões
de imóveis rurais; a continuidade do programa de Crédito
Fundiário de Combate à Pobreza Rural, que segue
a lógica do "mercado de terras" em detrimento
da reforma agrária baseada na função
social da terra.
O
território rural brasileiro possui uma imensa diversidade
cultural e social, que inclui comunidades de acampados e assentados
de reforma agrária, assalariados rurais, produtores
familiares (parceiros, meeiros, posseiros e arrendatários),
proprietários rurais minifundistas, populações
tradicionais (ribeirinhas, pescadores artesanais, quilombolas),
garimpeiros, povos indígenas, atingidos por barragens,
comunidades extrativistas (quebradeiras de coco, seringueiros),
entre outros.
Neste
contexto, é incompreensível que a responsabilidade
pela formulação de políticas para o campo,
incluindo o uso e a ocupação do território,
seja delegada a uma instituição financeira internacional
como o Banco Mundial. É necessário que o país
possua políticas públicas compatíveis
com a complexidade das demandas históricas, das experiências
e formulações dos movimentos sociais protagonistas
deste território, que lutam pela democratização
da terra e por soberania.
Leia mais:
2.
A ideologia do Banco Mundial
3.
Armadilhas do Mercado de Terras
4.
México
5.
Guatemala
6.
Brasil
7.
Colômbia
8.
Índia
9.
Tailândia
10.
África do Sul
11.
Zimbábue
12.
As Políticas da Via Campesina
13.
Bibliografia
14.
Expediente
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