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Cartilha


17. Filho de Alcântara

A história de Borges

Borges, ou Borjão como é conhecido, é uma das figuras que mais conhecem Alcântara. Percorre suas comunidades no dia-a-dia e conhece a história de grande parte das famílias alcantarenses. Borges nasceu em Alcântara, no bairro das Mercês. É o caçula de quatro irmãos.

Estudou o ginásio em Alcântara até 1978 e, quando terminou, foi para São Luís fazer o segundo grau. Ficou seis meses do ano de 1982 trabalhando em São Luís, até que entrou para a Aeronáutica. Sua família era pobre e ele tinha dificuldades para se manter na capital maranhense. Estudou para ser técnico de contabilidade, mas trabalhava num laboratório de fotografias e o que ganhava não era suficiente. Foi quando seu pai chegou em São Luís falando do projeto da Base de Alcântara e que estavam recrutando 30 jovens que iriam para São Paulo fazer um curso de seis meses. Depois disso, esses jovens voltariam para trabalhar na implantação da base. E foi assim com Borges. Entrou na Aeronáutica mais por obediência aos seus pais e também pela questão financeira.

Nessa época, Borges tinha 20 anos. Boa parte desses jovens veio da zona rural, justamente das áreas de onde a Aeronáutica deslocaria as famílias. Borges lembra que nunca foi dito a ele e seus outros companheiros que eles seriam militares. Ele ficou surpreso quando chegou em São Paulo e viu aquele monte de gente fardada. Numa placa, leu: "O direito do soldado é não ter direito". Levou um choque. O sistema era muito rígido e a adaptação foi difícil.

Depois de voltar, começou a perceber o que estava acontecendo com as comunidades de Alcântara. As famílias achavam positivo os filhos vivendo daquele jeito, fardados, com o sustento garantido todo mês. Mas não sabiam que isso depois se tornaria um problema para as famílias alcantarenses.

Borges ficou oito anos na Aeronáutica. Deu baixa em 1980. Percebeu que aquele projeto em nada favorecia a comunidade de Alcântara.

Muitos jovens começaram a ir embora de Alcântara por falta de oportunidades para estudar e trabalhar. Borges, então, foi viver de outra forma. Pescava, vendia peixe, depois trabalhou como enfermeiro, já que na Aeronáutica estudou enfermagem.

Passou a trabalhar com o movimento em defesa dos direitos das famílias de Alcântara que foram e continuam sendo atingidas pela implantação da Base. Participa do Movimento dos Atingidos pela Base e da Associação de Comunidades Negras Rurais Quilombolas. Conversa com as pessoas, discute, faz propostas e defende as famílias alcantarenses até a unha.

18. Resumo histórico

19. Perguntas para discussão