Sugestão
de mensagem:
Para:
Membros do Comitê de Meio Ambiente do Parlamento Europeu
sobre Energias Renováveis
Diante
da notícia de que a votação do Comitê de Meio Ambiente do
Parlamento Europeu sobre energias renováveis ocorrerá em
breve, gostaríamos de solicitar que rejeitem a cota de 10% em
relação aos agrocombustíveis.
Apoiamos
a proposta da União Européia em adotar cotas em relação à
redução de emissões de carbono. Porém, as fontes de
energia alternativas devem ser comprovadamente renováveis, de
acordo com normas sociais e ambientais. Atualmente, as fontes
de energia disponíveis (como os agrocombustíveis a base de
cana-de-açúcar, soja, milho e palma africana), causam
impactos negativos no meio-ambiente e nos direitos sociais,
comprometendo a produção de alimentos.
No
caso do etanol produzido no Brasil, a partir da cana-de-açúcar,
o cultivo e o processamento poluem o solo e as fontes de água
potável, pois utilizam grande quantidade de produtos químicos.
Estudos científicos comprovam que os agrocombustíveis
provocam problemas de saúde e ambientais porque criam uma
poluição mais pulverizada e liberam poluentes que promovem a
destruição da camada de ozônio. Cada litro de etanol
produzido dentro da usina, em circuito fechado, consome cerca
de
12 litros
de água. Esta quantidade não inclui a água utilizada no
cultivo que, no caso das monoculturas irrigadas, consome muito
mais.
Outro
fator preocupante é que a produção de cana-de-açúcar tem
se expandido para áreas de produção de alimentos, além de
sua expansão em regiões de preservação ambiental como o
Cerrado e a Amazônia. Mesmo
em áreas onde já havia atividade agrícola, o monocultivo da
cana gera um grau muito maior de devastação porque substitui
agricultura diversificada por cultivos homogêneos e contínuos,
o que leva à destruição total das reservas florestais. A
demanda das usinas por grande quantidade de terras de boa
qualidade, com acesso à água e à infra-estrutura, gera
devastação dos recursos naturais e da agricultura local.
Portanto, não é verdade que a indústria da cana se expande
para áreas degradadas e terras marginais, como afirma o
governo brasileiro.
O
aumento da produção de etanol tem causado a expulsão de
camponeses de suas terras e gerado dependência da chamada
“economia da cana”, onde existem somente empregos precários
nos canaviais. O monopólio da terra pelos usineiros impede
que outros setores econômicos se desenvolvam, gerando
desemprego, estimulando a migração e a submissão de
trabalhadores a condições degradantes.
A
indústria de agroenergia está baseada na exploração de mão-de-obra
barata e até mesmo escrava. Os trabalhadores são remunerados
por quantidade de cana cortada e não por horas trabalhadas.
No estado de São Paulo, maior produtor do país, a meta de
cada trabalhador é cortar entre 10 e 15 toneladas de cana por
dia. Para isso, são necessários 30 golpes de facão por
minuto, durante oito horas de trabalho por dia.
Esse
padrão de exploração tem causado sérios problemas de saúde
e até a morte de dezenas de trabalhadores. O trabalho escravo
é comum no setor. Em 2007, mais de 3.000 trabalhadores
escravos, inclusive indígenas, foram resgatados pelo Grupo
Especial do Ministério do Trabalho em usinas de cana no
Brasil, a maioria na região amazônica.
Diante
destes fatos, consideramos que a aprovação da cota de 10% da
União Européia poderia incentivar ainda mais a expansão do
monocultivo da cana no Brasil, o que causaria maior devastação
ambiental e violações de leis trabalhistas.
Repudiamos
a posição do governo brasileiro, que ameaça levar denúncias
para a Organização Mundial do Comércio (OMC) caso sejam
aprovados critérios de sustentabilidade, de proteção
ambiental, social e trabalhista para a comercialização de
agrocombustíveis. Estes critérios são essenciais, se de
fato o objetivo da produção de energias alternativas for
conter as mudanças climáticas que colocam em risco a
preservação da vida no planeta.
Obrigada
por sua atenção,
(NOME
DA ORGANIZAÇÃO)
Favor
enviar mensagens para os seguintes membros do Parlamento
Europeu:
"CORBEY
Dorette" dorette.corbey@europarl.europa.eu
"LEBECH Johannes" johannes.lebech@europarl.europa.eu
"ISLER BEGUIN Marie Anne" marieanne.islerbeguin@europarl.europa.eu
"TURMES Claude" claude.turmes@europarl.europa.eu
"MUSACCHIO Roberto" roberto.musacchio@europarl.europa.eu
"BLOKLAND Johannes" johannes.blokland@europarl.europa.eu
"BELOHORSKA
Irena" irena.belohorska@europarl.europa.eu
"WIJKMAN Anders" anders.wijkman@europarl.europa.eu
E
para representantes do governo brasileiro:
Ministro
André Aranha Corrêa do Lago, Diretor do Departamento de
Energia do Ministério das Relações Exteriores: alago@mre.gov.br
Ministro
das Relações Exteriores Celso Amorim: celsoamorim@mre.gov.br
Laudemir
Muller, Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA): laudemir.muller@mda.gov.br