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Pela
garantia dos direitos das comunidades remanescentes de
quilombos
As
entidades abaixo assinadas vêm a público alertar para o
risco de retrocesso na garantia dos direitos das comunidades
quilombolas. Após serem alvo de intensos ataques veiculados
pela imprensa que questionou a legitimidade de seus direitos e
sua luta, os/as quilombolas correm o risco de terem seus
direitos territoriais cerceados por meio da aprovação de
nova instrução normativa que altera o texto da Instrução
Normativa 20/2005 do Incra, que estabelece o procedimento
administrativo para identificação e titulação dos territórios
quilombolas.
A
justificativa dada pelo governo para a modificação da instrução
vigente baseia-se na necessidade de evitar que iniciativas em
curso, junto ao Judiciário e ao Congresso Nacional, suspendam
ou anulem o Decreto 4.887/2003 que regulamentou o processo
administrativo de reconhecimento dos direitos territoriais
previstos no Art. 68 do ADCT da Constituição Federal.
A
proposta de nova instrução elaborada pelo governo regride em
relação ao estabelecido na IN Incra 20/2005 quanto às
concepções sobre identidade quilombola e conceito de território,
aos mecanismos para concertação de interesses de Estado e à
solução de conflitos que se sobreponham aos territórios
quilombolas, à efetividade e celeridade processuais para
obtenção do título de propriedade.
Discordamos
que a solução para enfrentar as ameaças em curso seja
retroceder na garantia de direitos por meio da alteração da
instrução normativa do Incra. Na defesa das normas vigentes,
temos recentes decisões do Judiciário que reconhecem a
auto-aplicabilidade do artigo 68 do ADCT da Constituição
Federal e a constitucionalidade do Decreto 4.887/2003.
Preocupado
em cumprir a determinação de consulta prévia estabelecida
pela Convenção 169 da Organização Internacional do
Trabalho (OIT) sobre Povos Indígenas e Tribais, o governo
federal convocou uma consulta aos quilombolas entre os dias 15
a 17 de abril, em Luziânia, Goiás, para discutir a nova
norma.
Mesmo
discordando do conteúdo proposto para a nova instrução e do
procedimento pouco democrático de sua elaboração que não
envolveu a sociedade, os quilombolas por meio da Coordenação
Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais
Quilombolas (CONAQ) aceitaram participar de consulta. Cerca de
250 quilombolas e 12 assessorias participaram do encontro,
reafirmando o caráter deliberativo do evento e apresentando
propostas concretas para a nova instrução normativa.
Ressaltamos
que a Convenção 169 da OIT determina no seu Art. 6º(2) que:
"a consulta deverá ser efetuadas com boa fé e de
maneira apropriada às circunstâncias, com o objetivo de se
chegar a um acordo e conseguir o consentimento acerca das
medidas propostas". No entanto, foram poucos os
dispositivos consensuados entre governo e quilombolas.
A
maioria das propostas de alteração da atual IN Incra 20/2005
sugeridas pelo governo não obtiveram o consentimento dos
quilombolas. Por outro lado, as mais importantes propostas dos
quilombolas não foram acatadas tais como: a não
obrigatoriedade da certidão da Fundação Cultural Palmares
para início do processo de titulação e a adequação dos
quesitos do relatório destinado a identificar o território a
ser titulado.
De
acordo com o governo, as propostas de alteração não
consensuadas na consulta, serão analisadas pessoalmente pelo
Presidente da República e os Ministros das pastas afins.
Neste sentido, as organizações abaixo assinadas vêm a público
reivindicar que as propostas apresentadas pelos quilombolas
sejam realmente consideradas, e mais, aprovadas pelo governo
federal.
A
não observância, pelo governo brasileiro, dos requisitos de
validade da consulta estabelecidos pela Convenção 169 da OIT
– chegar a um acordo e conseguir o consentimento acerca das
medidas propostas – colocará em risco a validade da própria
consulta bem como dos resultados que objetivava produzir.
Brasil, 6 de maio de 2008
Associação
Brasileira de Organizações Não Governamentais (ABONG)
Associação
de Apoio às Comunidades Afrodescendentes (AACADE)
Associação
de Combate aos Poluentes
Associação de Consciência à Prevenção Ocupacional
Associação
de Proteção ao Meio Ambiente de Cianorte / Paraná
Associação
de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia (AATR
-Ba)
Associação
Nacional de Ação Indigenista (ANAÍ )
Associação
Terra Laranjeiras (ATLA )
Centro
de Cultura Luiz Freire
Centro
de Documentação Eloy Ferreira da Silva (CEDEFES)
Centro
de Cultura Luiz Freire
Centro
de Cultura Negra do Maranhão (CCN-MA)
Centro
de Educação Popular do Instituto Sedes Sapientiae (CEPIS)
Centro
de Estudos e Defesa do Negro do Pará (CEDENPA)
Centro
de Estudos Bíblicos no Rio Grande do Sul (CEBI-RS)
Centro
pelo Direito à Moradia contra Despejos (COHRE)
Centro
pela Justiça e Direito Internacional (CEJIL)
Comissão
Pastoral da Terra (CPT)
Comissão
Pastoral da Terra - Regional Maranhão
Comissão
Pastoral da Terra Norte Minas
Comissão
Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP)
Conselho
Nacional de Iyálórisás, Egbomys e Ekedys Negras
Coordenação
Continental do Grito dos Excluídos/as
Coordenação
Estadual das Comunidades Negras e quilombolas (CECNEQ)
Coordenação
das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB)
Coordenadoria
Ecumênica de Serviço (CESE)
Confederação
Nacional das Associação de Moradores (CONAM)
Educafro
Dignitatis
Fórum
Nacional da Reforma Urbana (FNRU)
Instituto
Socioambiental (ISA)
Instituto
de Assessoria as Comunidades Remanescentes de Quilombo (IACOREQ)
Instituto
de Estudos Direito e Cidadania
(IEDC)
Instituto
de Estudos Socioeconômicos (Inesc)
Instituto
Terramar
Justiça
Global
Federação
de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE)
Fórum
em Defesa da Zona Costeira do Ceará
Fórum
Estadual de Mulheres Negras/RJ
Fórum
de Mulheres Negras do Estado de São Paulo
Fundação
de Direitos Humanos Bento Rubião
Grupo
Ação, Mobilização e Desenvolvimento - ABAKÊ
Grupo
de Estudos Rurais e Urbanos/PPGCS/UFMA
Grupo
de Trabalho Amazônico (GTA)
Grupo
de Trabalho sobre Regularização de Territórios Quilombolas
em Minas Gerais
GT
Combate ao Racismo Ambiental
GT
Ambiente AGB-Rio e AGB- Niterói /Associação dos Geógrafos
Brasileiros RJ
Instituto
Polis
Koinonia
Presença Ecumênica e Serviço
Movimento
Negro Unificado - Seção do Rio Grande do Sul
Movimento
dos Atingidos por Barragens (MAB)
Observatório
Negro-Recife/PE.
ORIASHÉ
- Sociedade Brasileira de Cultura e Arte Negra/SP
Organização
Consciência Negra do Maranhão (CNEGRA)
Plataforma
DhESCA
Projeto
Territórios Quilombolas no Espírito Santo
Rede
de Informação e Ação pelo Direito a Se Alimentar (FIAN
Brasil)
Rede
de Integração Verde
Rede
Social de Justiça e Direitos Humanos
Relatoria
Nacional para o Direito Humano ao Meio Ambiente
Sindicato
dos Advogados do Estado de São Paulo
Sociedade
Maranhense de Direitos Humanos
Terra
de Direitos
União
Nacional de Moradia Popular (UNMP)
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