|
Não
ao atual projeto de transposição do rio São Francisco.
Pela vida de D.
Luiz Cappio, pela vida do rio São Francisco
Nós
abaixo assinados viemos a público repudiar o atual projeto do
governo federal da transposição do Rio São Francisco. Esse
projeto é faraônico, não é democrático, porque não
democratiza o acesso à água para as pessoas que passam sede
na região semi-árida, distante ou perto do rio São
Francisco.
O governo alega que vai levar água para 12 milhões de
sedentos. O projeto, na verdade, pretende usar dinheiro público
para favorecer empreiteiras, o agronegócio, privatizar e
concentrar nas mãos dos poucos de sempre as águas do
Nordeste, dos grandes açudes, somadas às do rio São
Francisco.
A transposição tem muito pouco a ver com a seca. Tanto que
os canais do eixo norte, por onde correriam 71% dos volumes
transpostos, passariam longe dos sertões menos chuvosos e das
áreas de mais elevado risco hídrico. E 87% dessas águas
seriam para atividades econômicas altamente consumidoras de
água, como a fruticultura irrigada, a criação de camarão e
a siderurgia, voltadas para a exportação e com seríssimos
impactos ambientais e sociais. Todas estas implicações não
foram transparentemente discutidas com as populações
envolvidas como os ribeirinhos, os pescadores, os indígenas,
os quilombolas e a comunidade científica.
O atual projeto não toma em conta alternativas mais baratas,
mais viáveis e mais eficazes para um número maior de
pessoas. O projeto oficial custaria mais de 6 bilhões de
reais, atenderia apenas a quatro Estados (Pernambuco, Paraíba,
Rio Grande do Norte e Ceará) beneficiando 12 milhões de
pessoas de 391 municípios. Um projeto alternativo elaborado
pela Agência Nacional das Aguas (ANA) e o Atlas do Nordeste
custaria pouco mais de 3 bilhões de reais,
atingindo nove estados (Bahia, Sergipe, Piauí, Alagoas,
Pernambuco, Rio do Norte, Paraíba, Ceará e Norte de Minas),
beneficiando 34 milhões de pessoas de 1356 municípios. Cabe
ainda lembrar a Articulação do Semi-Árido (ASA) que se propõe
constuir um milhão de cisternas, tenho já construido 220 mil
que atenderia as áreas mais áridas e isoladas da região.
O projeto de transposição vem sendo conduzido de forma
arbitrária e autoritária: os estudos de impacto são
incompletos, o processo de licenciamento ambiental foi
viciado, áreas indígenas e quilombolas são afetadas e o
Congresso Nacional não foi consultado como prevê a Constituição.
Há 14 ações que comprovam ilegalidades e irregularidades
ainda não julgadas pelo Supremo Tribunal Federal. Mas o
governo colocou o Exército para as obras iniciais, abusando
do papel das Forças Armadas, militarizando a região. A decisão
do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, de Brasília,
de dez de dezembro deste ano, obrigando a suspensão das
obras, comprova o caráter problemático do projeto
governamental.
São tais fatos que sustentam o jejum e as orações do bispo
de Barra (BA), dom Luiz Cappio, pessoa humilde, aberta ao diálogo
e amigo dos pobres que há mais de 30 anos convive com os
problemas do Vale do São Francisco. Ele está oferecendo sua
vida para que o povo e o rio tenham mais vida. Apoiamos seu
gesto profético, digno dos discípulos de Jesus.
A alternativa do Presidente Lula é falsa: entre os pobres e o
bispo fico do lado dos pobres. A verdadeira alternativa é:
entre os pobres e o hidronegócio nós ficamos do lado dos
pobres.
|